Quinta, 20 de abril de 2017, 08h32
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Esportes / Liga dos Campeões

Barça sucumbe esquema italiano e paga caro por defesa instável

Equipe catalã não é mais a melhor do mundo e cai nas quartas de final pela terceira vez em quatro anos. Muito bem equilibrada, Juventus se credencia como favorita ao título junto do Real Madrid

É quase indiscutível que Messi, Suárez e Neymar formam o melhor trio de ataque do mundo. Mas o Barcelona deixou de ter o melhor time do mundo há algum tempo.

 

Não fazer sequer um golzinho na Juventus em aproximadamente 190 minutos - contando os acréscimos - não chega a ser um absurdo, afinal, estamos falando da melhor defesa da Liga dos Campeões, talvez a melhor do planeta.

 

A defesa do Barça, por outro lado, deixou a equipe catalã na mão no jogo de ida - 3 a 0 para os italianos em Turim -, e isso custou a vaga nas semifinais da competição.

 

O empate por 0 a 0 nessa quarta-feira no Camp Nou garantiu os italianos na próxima fase e eliminou os espanhóis.


A histórica "remontada" contra o Paris Saint-Germain, nas oitavas de final, também tinha começado assim, com a instável defesa deixando o time na mão - derrota por 4 a 0.

 

No duelo da volta, o Barça contou muito com o talento individual de Neymar, e é bem verdade que também houve contribuição do árbitro ao marcar um pênalti inexistente de Marquinhos em Suárez nos minutos finais.

 

Mas o que mais pesou na virada de 6 a 1 foi o fato de os franceses terem entrado em campo já quebrados mentalmente. Talvez por inexperiência. Talvez por duvidarem deles próprios. Mas a Juventus não é o PSG.

 

- Acredito que fizemos uma grande eliminatória. Não levar gols contra esse trio é muito difícil, e acho que esse é nosso grande mérito. O grande esforço que fizemos, a forma inteligente de competir contra esse grande rival... - afirmou Daniel Alves.


A Velha Senhora se mostrou não só um time melhor do que o Paris, como também melhor do que o Barcelona. A classificação não aconteceu por acaso, veio por méritos.

 

A equipe comandada por Massimiliano Allegri é mais bem equlibrada no geral. Forte em todos os setores. Ao contrário do seu adversário nas quartas.

 

A Juve tem uma defesa sólida e experiente, liderada pelo goleiro e capitão Buffon. À frente dele, Bonucci e Chiellini, dois zagueiros "cascudos" da mais pura escola italiana; além dos laterais brasileiros Daniel Alves e Alex Sandro, que desempenharam papéis importantíssimos na frente e atrás.

 

Eles sofreram somente dois gols em 10 partidas contando desde a fase de grupos, o que dá uma incrível média de 0,2 por jogo. É o "Muro de Turim".


- Eu estou feliz com o que os meninos vêm fazendo, mas o principal não é manter o nível atual, mas melhorá-lo. Todos estiveram extraordinários nesta noite, e quando Andrea Barzagli entrou (no segundo tempo), senti que poderíamos jogar o dia inteiro sem sofrer gols. Comemorar? Bem, é um momento decisivo da campanha, e eles têm um grande senso de dever e profissionalismo. O que eu mais gosto é que não preciso falar para eles dessas coisas - disse Massiliano Allegri.

 

No meio de campo, dois cães de guarda que ao mesmo tempo sabem tocar a bola e sair para o jogo: Khedira e Pjianic. E na frente é um time que ataca sem medo com seu quarteto ofensivo.

 

Cuadrado, Mandzukic, Higuaín e Dybala unem juventude e experiência. Dybala, por sinal, é considerado um dos grandes nomes do futebol mundial para o futuro próximo. Foi ele quem acabou com o Barça no jogo realizado na Itália, na semana passada.


A Juventus não deixou escapar a tranquilidade de estar em vantagem e soube administrar o jogo. Sempre que teve oportunidade, valorizou a posse de bola. Manteve o controle mental. Assim, ganhou um precioso tempo rumo à classificação.

 

Terceira queda nas quartas em quatro anos


Tudo bem que o Barça foi campeão da Champions na temporada 2014/15, mas esta foi a terceira vez em quatro anos que o clube foi eliminado do torneio na fase de quartas de final - as duas anteriores foram diante do Atlético de Madrid.

 

Ou seja, ficou "apenas" entre os oito melhores da Europa. É abaixo do esperado. O maior rival, Real Madrid, por exemplo, mostrou mais pegada e está nas semifinais pela sétima vez consecutiva - levantou a taça duas vezes. E o próprio Atlético de Simeone está nas semis pela terceira vez nos últimos quatro anos.


As falhas defensivas do Barcelona são principalmente quanto ao posicionamento. Piqué e Mascherano tiveram queda de rendimento em relação às temporadas passadas e vivem batendo cabeça, deixando clarões para os atacantes adversários.

 

O jovem Umtiti, que teve começo muito bom, foi outro que caiu de produção. Sergi Roberto significa fragilidade na lateral direita. E Jordi Alba não defende tão bem quanto ataca na lateral esquerda.


Busquets, Rakitic e Iniesta também já estiveram em momentos bem melhores do que o atual. Portanto, o meio-campo do Barça perdeu força. A exceção é mesmo o trio MSN, que obviamente nem sempre consegue resolver as coisas.

 

O entendimento tático entre Luis Enrique e jogadores deixa a desejar não é de hoje. O comandante tentou mudar o esquema de 4-3-3 para 3-4-3. Deu certo no início, mas os problemas logo reapareceram.

 

E é fato que o time enfrentou dificuldades contra todos os grandes que enfrentou nesta temporada, tirando o jogo da volta contra o PSG.

 

- Não esquecerei nunca o que aconteceu no primeiro tempo em Turim. Nos tirou da Champions. Vou lembrar para sempre aquele primeiro tempo. Desgraçadamente. Nossa participação na Champions este ano era imbatível, até a queda no jogo de Turim - disse Luis Enrique.


Assim como na "remontada", Neymar jogou muita bola contra a Velha Senhora. Foi novamente o melhor em campo pelo Barça, mais protagonista do que Messi.

 

Empurrado pelo craque brasileiro e pela torcida que lotou o Camp Nou, o time até criou chances nessa quarta, mas falhou na pontaria. Abalado, o camisa 11 deixou o campo chorando copiosamente.

 

Foi o choro de quem sabe que pode ter perdido boa chance de ser eleito o melhor jogador do mundo. Afinal, a Liga dos Campeões conta muito para isso.


E a Juventus, com uma ótima atuação em casa e outra boa fora, se credencia como favorita ao título ao lado do Real Madrid para vencer o torneio. Vale lembrar que a atual pentacampeã italiana, atualmente é líder do torneio nacional e caminha para o hexa consecutivo.

 

O oponente da Juventus na semifinal da Liga dos Campeões será conhecido nesta sexta-feira. A Uefa realizará um sorteio a partir das 7h (de Brasília). Além do Real, as opções são Atlético de Madrid e Monaco.


O Barcelona, por sua vez, agora joga todas as suas fichas no Campeonato Espanhol e terá clássico decisivo com o Real Madrid no domingo, no Santiago Bernabéu.

 

O time merengue é líder, três pontos à frente do vice-líder Barça e com uma partida a menos. Na Copa do Rei, de menor relevância, os catalães são finalistas e vão encarar o Alavés no dia 27 de maio.



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