Sexta, 16 de junho de 2017, 08h43
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Judiciário / novo depoimento

Silvio confessa que disse a Nadaf que “colaborador tinha que morrer"

Isso é o que consta na decisão da juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que converteu a prisão preventiva em medidas cautelares



O ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Sílvio César Correia Araújo, confessou que certa vez disse para o ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, que “colaborador tinha que morrer”. Segundo ele, comentários desse tipo são corriqueiros no interior dos presídios. E que, jamais teria coragem de tentar contra a vida de alguém.

 

Isso é o que consta na decisão da juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que converteu a prisão preventiva em medidas cautelares.

 

Ao confessar seu crime, Sílvio relatou que sobre o pagamento da desapropriação do bairro Jardim Liberdade ‘para a empresa Santorini Empreendimentos LTDA, foi procurado por Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, em seu gabinete, e afirmou que portava um processo de desapropriação de interesse do Governador, pedindo que o mesmo elaborasse um ofício, remetendo o processo para que ele oferecesse o necessário parecer’.

 

“Segundo Sílvio foi o próprio Chico Lima que providenciou a lavratura de tal ofício. Embora negue ter recebido parte da propina decorrente deste esquema, confessa que tinha ciência que se tratava de desvio de dinheiro público. Narra que, enquanto estava preso junto com Silval Barbosa, este lhe confidenciou que se utilizou de 10 milhões de reais para pagar uma dívida que possuía com Valdir Piran. Sílvio aponta que Chico Lima era a pessoa que se encarregava de elaborar os pareceres e processos de interesse de Silval Barbosa, exatamente aqueles que poderiam dar grandes retornos financeiros para organização criminosa, sendo que eram cuidados por outra procuradora”, pontuou.

 

Já no suposto esquema que envolve a sua participação ao enquadramento das empresas do grupo Tratorparts no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), em troca de pagamento de propina em benefício da organização criminosa, disse que só tomou ciência dos fatos após a deflagração da operação Sodoma em setembro de 2015.

 

“Relatou ter recebido R$ 25.000,00 do acusado Silval Barbosa, porque precisava de tal valor para uma cirurgia e afirmou que recebeu esse valor na FACTORING GARANTIA ASSESSORIA DE COBRANÇA LTDA., de propriedade do Frederico Muller e Filinto Muller. Todavia, diz desconhecer qual é a relação entre os incentivos fiscais obtidos pelas empresas do Sr. João Rosa e a empresa de fomento, já que todos os assuntos afetos a incentivos fiscais eram tratados por Silval Barbosa e Pedro Nadaf”, diz um trecho da decisão.

 

A magistrada ainda ressaltou que Sílvio confirmou que fazia parte da organização comandada por Silval e que, em várias situações como agente arrecadador de propinas de outras situações ilícitas em benefício do grupo, ‘sempre cumprindo determinações do seu chefe’.

 

“Relatou o tempo que trabalhou para Silval Barbosa e que, durante a campanha para o Governo do Estado, recebeu pessoalmente algumas doações extraoficiais em dinheiro de empresas para a campanha eleitoral. Confessou, também, que entre as suas funções estava a de recolher dinheiro oriundo de pagamento de propinas diretamente com empresários que pagavam o Governo, como também com Secretários de Estado que tinham a função de arrecadar propina, além de levar esses valores tanto para o chefe Silval Barbosa, como para outras pessoas que se beneficiavam desses pagamentos e também para operadores financeiros”.

 

O ex-chefe de gabinete contou que se reunia com empresários que mantinham contratos com o governo ou que gostariam de contratar e que a propina era para manutenção de contratos para Silval para organização criminosa.

 

“Tais reuniões tinham a finalidade de ajustar forma e valores dos pagamentos de propina. Disse que tinha função de fazer troca de cheques oriundos de pagamentos de propinas junto a instituições de fomento da confiança do ex-governador, bem como para fazer pagamentos de empréstimos e dívidas adquiridas por Silval Barbosa. Afirmou que participava do CONDES, com a maior parte dos Secretários, como o da Casa Civil, Secretaria de Administração, AGE PGE, SEPLAN, Comunicação, Governadoria, que têm a incumbência de discutir de forma genérica o que ocorria no Estado, além de deliberarem sobre qual seria a estratégia para atender demandas de Secretarias com déficit de orçamento. Neste sentido, esclareceu que as despesas feitas pelo governo no interesse da organização criminosa não eram tratadas em colegiado, mas que ele, Sílvio, assinava os documentos ratificando as decisões do Conselho, independentemente de ter havido ou não deliberação sobre os temas”.


Medidas cautelares

 

Ao revogar a prisão, Selma a converteu em domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

 

Silvio está proibido de manter contato com a organização criminosa.

 

Ela embasou sua decisão em novos depoimentos de Silval onde confessa os desvios de recursos públicos em sua gestão.

 

Perdimento de bens

 

Silvio colocou a disposição da Justiça um imóvel em Cuiabá no valor de R$ 472 mil.



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