Terça, 29 de maio de 2018, 14h20
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Opinião

A política de preços e o reclame dos caminhoneiros

O que apenas está errado nessa batalha é a politicagem infiltrada que destoa da luta

Eu não poderia ficar sem opinar sobre a série de trolagens, plantações ou ‘fake news’ espalhadas pelos quatro cantos deste País, dada a peculiaridade que o momento enseja e também sobre ‘o pulo do gato’ que a classe de caminhoneiros deu e acabou por vez consolidando o que há tanto tempo vem lutando em seu favor: o reconhecimento popular. Uma avalanche com posts de memes, hashtags, áudios, vídeos de pessoas querendo tirar o Presidente pela simples vontade de protestar. Caminhoneiros não são mais sinônimo de barba malfeita, barrigões e cabelos esvoaçados e também não será quem vai sentar o novo comandante do Brasil. O que apenas está errado nessa batalha é a politicagem infiltrada que destoa da luta.

É natural que surjam aproveitadores em meio a tanta polvorosa com a parada dos caminhões na estrada. Á exemplo de ativistas querendo “Fora Temer”, já anônimos pichando em muro de cemitério “Entra Temer”. Tem Temer vampiro, cachorro...Mas brasileiro é brasileiro e não seria diferente com tanta gente criativa mesmo em crise e com prateleiras se esvaziando. A coisa é séria gente, deixemos de brincar e partamos para encontrar soluções.

Antes, porém, por racionalidade, digo que a paralisação originou-se em questão da política de preços da Petrobrás e as escaladas de aumento do barril, alta do dólar, as limitações da logística; a baixa lucratividade do frete até o zumbido atormentar o governo a reduzir, minimamente, alíquotas nestes nove dias de panelaços, buzinaços, mas que daqui a pouco o ‘Joao Teimoso’ levanta novamente. Vamos viver o mesmo sofrimento de agora, pois estão editando paliativos.

Essa paralisação não se trata de falta de combustíveis como muitos incautos buzinam nas redes. Não é o caso de pedir intervenção federal sem ao menos saberem sobre a legalidade para esse diploma. Dá impressão do ‘quanto mais pior, melhor’, geralmente rogado por quem está na esquerda. A política de preços da gestão Temer, a causa da greve, de acompanhar a oscilação internacional do petróleo levou a um aumento acumulado de 55% no valor dos combustíveis no Brasil ao seguir a variação internacional do preço. Isso afetou diretamente nossos bolsos e defendidos orgulhosamente pelos reis da estrada.

A Petrobrás concorre com ela mesma, sabia? Com duas ou mais empresas competindo nesse mercado, com refinarias e base de importação, provavelmente o preço não estivesse tão ‘batizado’. Faltam mais fórmulas diante dessa economia já que nunca houve preço livre na bomba. Agora R$ 0,46 reduzidos no diesel por 60 dias e mais outras migalhas? Só que querem mudar o jeito de ganhar sem nenhum balizamento. Não seria mais interessante, por exemplo, a Petrobrás ‘pagar o pato do preço’ e depois lucrar com o aumento da commodity? Não seria, em tempo de eleição, interessante os governos de cada estado reduzir cargas do ICMS num efeito dominó e ganhar o jogo para a coletividade?

Ubiratan Braga é jornalista, radialista e publicitário em Cuiabá.



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