Quinta, 25 de janeiro de 2018, 15h39
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Opinião

A violência

A sociedade está presa num círculo vicioso: malfeitores são presos e soltos, por causa da superlotação de presídios

Somente para ficar aqui no bairro onde moro: assaltaram uma farmácia por três vezes em três dias seguidos; diversas residências tiveram o mesmo destino, nos últimos dias, e reforçaram a segurança do prédio em que resido, por conta de várias tentativas de invadi-lo.

Outro dia, os jornais anunciaram que um restaurante foi assaltado e seus clientes ficaram sem suas carteiras e documentos pessoais. Um vexame! Os roubos de carros crescem exponencialmente.

O dilema é o seguinte: se ficarmos em casa, corremos o mesmo risco que se estivéssemos nas ruas.

A sociedade está presa num círculo vicioso. Os malfeitores são presos e soltos em seguida, por causa de fatores como a superlotação de presídios.

O que fazer, meu caro leitor? O primeiro impulso é ir para o exterior, ser feliz em outro País. É certo que muitos fizeram ou vão fazer este caminho.

Entretanto, a grande maioria do povo brasileiro que vive aqui neste ramerrão não sabe, não quer e nem tem para onde ir.

Eu já disse, em um artigo nesta coluna, que iria para Nova Zelândia! Mas o que eu vou fazer do outro lado do mundo? Eu não guardei nada lá! É aqui a minha terra, a minha pátria, o meu berço e eu não quero morrer de tédio, solidão ou banzo fora daqui.

Enfim, acostuma-se com tudo, até com o sofrimento! Sintoma de um masoquismo atávico!

A impressão é que estamos em marcha batida para o caos. Se esta afirmação for verdadeira, é preciso esperá-lo, pois assim começará a tão sonhada ordem, como afirma um provérbio chinês.

A violência é apenas um dos mais graves problemas que temos. Não cabe a mim e nem a você que me lê encontrar soluções para a violência e para outros tantos e tão graves problemas que assolam o País!

Olho para cima, para baixo e de lado e não vejo quaisquer das lideranças que almejam o mando, nas próximas eleições de outubro, uma promessa segura de nos tirar deste beco sem saída.

Aqui em Grosso Mato, parece que tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes.

A Câmara normalmente renova em torno de 40% dos seus membros. Não encontrei dados percentuais de renovação do Senado que nesta legislatura é de 2/3.

Entretanto, creio que o percentual deve se igual ou parecido com o da Câmara. Então, qualquer candidato que se eleger presidente da República irá encontrar dificuldades para governar com o fisiologismo endêmico das casas de leis.

O famoso toma lá dá cá. Este é o Brasil brasileiro!

Precisamos, desesperadamente, de administradores e gerentes eficientes da coisa pública. E vou mais além: precisamos de reformadores!

Entretanto, podemos cair nas mãos de um Trump piorado; da esquerda inepta, incompetente e corrupta; ou quem sabe, na esperança de aparecer um Macron ou, até mesm,o um Macri portenho!

A sorte está lançada. Espero, constrito, que o Criador nos livre de cair nas mãos do capeta.

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá.

rgnery@terra.com.br



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