Segunda, 06 de novembro de 2017, 08h49
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Opinião

Efeito fundador

As instituições mais corrompidas são aquelas que oferecem mais possibilidades de ganhos “por fora”

Por que algumas instituições públicas são confiáveis e outras recorrentemente envolvidas em fraudes se as pessoas que as formam, teoricamente, vem da mesma origem?

Pesquisas informam, com algumas pequenas variações na hierarquia, que o Corpo de Bombeiros, Forças Armadas, Polícia Federal e Poder Judiciário estão entre as instituições mais respeitadas do país.

Na outra ponta, as mais desacreditadas são Câmara de Vereadores, Assembleias Legislativas, Congresso Nacional, Presidência de República com seus ministros e Sistema de Saúde

Algumas teorias dão conta que as instituições mais corrompidas são aquelas em que há maiores possibilidades de ganhos “por fora”.

Nesse caso, a Polícia Federal e o Judiciário não estariam entre as mais confiáveis, porque muitas pessoas estão dispostas a pagar grandes valores para se livrarem de uma condenação ou de um prisão.

Interessante pensar que de dois colegas de escola, vindos de ambientes semelhantes, de famílias parecidas e tendo a mesma formação, um pode se tornar corrupto porque escolheu a política e outro correto por seguir carreira militar.

Claro que em termos de probabilidades porque ambas as instituições têm pessoas boas e ruins.

Há uma possibilidade de o vício estar entranhado em cada repartição e que a repetição contínua das falcatruas acaba contaminando todo pessoal.

Como se alguém que entrasse ali e vendo o que acontece rotineiramente acabasse aderindo ao crime em um processo sutil, lento e cumulativo.

Primeiramente, o iniciante se espantaria com o procedimentos não éticos, mas, como uma infecção que vai lentamente contaminando o corpo, as atitudes erradas dos colegas vão corrompendo a mente, fazendo-o acostumar-se com elas e depois reproduzi-las.

Creio que é assim no meio político, de longe o mais desacreditado do Brasil. Tudo deve começar com o recebimento de caixa dois para campanha.

A justificativa individual deve ser que o dinheiro não é para benefício próprio, mas sim para conseguir o mandato e defender seus eleitores.

Aí o Diabo, aqui representado pela ganância, sussurra que não é nenhum crime separar um pouco desse dinheiro para uso próprio como quase todos fazem, pois o está usando para o exercício do mandato. Daí para receber propina é um pulo.

Mas uma dúvida ainda persiste. Como o vício se enraizou em uma instituição e não em outra? Por que os políticos são tão desonestos e as forças Armadas, por exemplo, tão austeras e confiáveis?

Uma possibilidade estaria na qualidade das pessoas que criaram as instituições. Assim aquelas que se formaram com homens e mulheres de alta qualidade ética, preservaram estes valores que consideram inegociáveis.

Outras, fundadas por indivíduos de moral elástica, construíram corporações indecorosas à sua imagem e semelhança.

Tem solução? Acho que não, mas não custa tentar a “quebra da maldição” que as igrejas neopentecostais oferecem nos templos e na televisão, por um custo relativamente baixo.

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor em Cuiabá.



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