Quinta, 09 de novembro de 2017, 09h00
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Opinião

Intolerância

Com a troca de nomes de escolas em Mato Grosso, instaura-se um “Tribunal de Nuremberg Cabloco”

Na semana passada, foi noticiado que o Governo do Estado de Mato Grosso mandou trocar os nomes do Senador Filinto Muler e do ex-presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco, de duas escolas públicas do interior do Estado.

Isto ocorreu, conforme a imprensa local, como base em inquérito civil, aberto pelo Ministério Público - após processo administrativo no Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar (CDCes) e, em seguida se ouviu a comunidade para deliberar sobre um novo nome - com fundamento na Lei Estadual de n. 10.343 de 01.12.2015, que resultou em dois Decretos do Poder Executivo determinando as trocas de nomes que já se efetivaram.

Motivo: os referidos personagens históricos teriam sido considerados como participantes de crime de lesa-humanidade, tortura e violação de direitos humanos (artigo 2º da Lei n. 10343/2015).

Enfim, instaurou-se um “Tribunal de Nuremberg Cabloco” e colocou-se no “Index” a honra e a dignidade de personagens históricos.

Se a moda pega, estar-se-á em marcha um macabro revisionismo, onde se “linchará”, à revelia e à moda nazista ou soviética, outros personagens históricos.

Motivos não faltarão para as forças do revanchismo, a seu talante, destilar o seu ódio e a sua fúria contra quem for tido como indigno. Vão reescrever a história!

Se a devassa desta “Revolução Cultural Cabloca” continuar - vão ser pregados na cruz da intolerância outros personagens e inúmeros prédios públicos, logradouros (ruas, avenidas, praças, jardins, passeios públicos, rossios e bustos), serão alcançados pela sanha injustificada deste expurgo, expondo o Estado de Mato Grosso ao ridículo, como se não bastasse a catarse provocada pelo campeonato nacional de corrupção de que somos vítimas. Enfim, a barbárie!

Espero que aproveitem a oportunidade e levem para a fogueira os deputados autores da malfadada lei que foram gravados recebendo propinas.

É uma tarefa temerária, destes precursores do revisionismo, se arvorarem de censores da história.

Se este ou aquele personagem tem ou não mérito ou defeito, é função de história, após o passar inexorável do tempo, verificar.

O melhor a fazer é rever o mal feito e passar a cuidar de tantas outras coisas urgentes que esperam por iniciativa, decisão e execução.

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá.



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