Quarta, 27 de junho de 2018, 09h44
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Opinião

Mantenha o sistema

Não foi fácil para o País chegar ao regime político em que vivemos

Mantenha o Sistema é um livro do escritor George Orwell que conta a história de um personagem que é contra o sistema. Este personagem se recusava a trabalhar, pois se o fizesse iria contribuir para a manutenção do sistema capitalista que ele odiava. Ele era contra dinheiro, consumismo e aristocracia. O livro se encontra publicado, no Brasil, por diversas editoras. O Autor é um inquestionável clássico da literatura política, com livros como a Revolução dos Bichos e 1984.

Nesta fase difícil em que vivemos algumas vozes se voltam contra o sistema (regime) político apresentando como solução excepcional a sua derrubada e a implantação de um regime de força com o fechamento do Congresso. Já tive oportunidade de manifestar a respeito no sentido de que tal solução é inviável.

Não foi fácil para o País chegar ao regime político em que vivemos. Nele foram “impichados” dois presidentes da República. Nele, a corrupção nunca chegou a níveis tão altos. Entretanto, nunca se apurou e se puniu tanto, com o exercício do contraditório e da ampla defesa. A sua vitalidade está comprovada.

A corrupção no Brasil existe desde sempre. O que se esperava de um País colonizado por prostitutas e presidiários. É isto mesmo que os portugas mandaram para cá. O rouba, mas faz é tão antigo quanto as Capitanias Hereditárias quando se misturou o público com o privado e a corrupção foi implantada por aqui.

Sempre soubemos que a corrupção existe. Ela é inclusive admitida e louvada no Brasil, pois quem tem a oportunidade de por a mão na botija e não o faz é burro. Daí o ladino, o esperto que sabe tirar vantagem é admirado.

A disfarçada ojeriza aos corruptos não impede de parte da população de se servir do dinheiro amealhado por eles, notadamente, em épocas de eleições. Este é o País que temos e esta é a população que nele habita.

Qual a novidade em tudo isto? Sempre foi assim. Até no regime militar os políticos e empresários aumentaram os seus passivos e ativos e os políticos encheram as “burras”. Os políticos tradicionais foram cassados, mas surgiram em torno do regime outros muitos mais predadores. De quem são a maioria dos grandes donos dos meios de comunicações no Brasil? E esta prática e os famosos incentivos fiscais surgiram quando? O fosso da desigualdade sempre foi abissal! Quem se importa com isto e com os direitos dos cidadãos aos mais elementares direitos a uma vida digna! Os Programas Sociais para os menos favorecidos sempre foram eleitoreiros!

Até aí nenhuma novidade. A única surpresa foi que o MP e o Poder Judiciário resolveram trabalhar com afinco. Aliado a este fato veio a controvertida delação premiada que começou a ser aplicada indistintamente com resultados efetivos. O País balança, mas certamente não vai cair como nunca caiu. Portanto, o atual sistema, apesar de tudo tem que ser mantido.

Karl Mark dizia que o capitalismo ia acabar, pois sempre viveu de crises em crises, mas, ao contrário do que afirmava o ilustre pensador, ele se fortaleceu ao longo da história. O minha faceta otimista, me diz que na falta de alternativa mais segura, é preciso manter o sistema. Urge que seja ele seja polido e aperfeiçoado. Fora do capitalismo democrático não há salvação, basta observar um pouco da história do mundo. Nos países civilizados vingou a economia de mercado e a esquerda (o socialismo) serviu para estancar os exageros do capitalismo e dar-lhe uma face humana. E por aqui a esquerda serviu, nos últimos tempos, para aumentar e afiar a garras do capitalismo, com o agravamento de práticas pouco ortodoxas.

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá. E-mail –rgnery@terra.com.br



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