Sexta, 26 de janeiro de 2018, 14h08
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Opinião

O milionário

Com a desvalorização da moeda, no Brasil, hoje quem tem um milhão de reais não é considerado rico

Nesta semana, recebi pelo whatsApp, de uma só vez, dezenas de canções, cada uma mais preciosa que outra.

Tinha Reflections of my Life, de Marmelades, tinha Luciana, de Evinha, e tinha Killing me softly with his song, de Roberta Flack, esta uma das músicas mais lindas que já ouvi até hoje.

No telefone estavam também Coruja, de Deny e Dino, No More Boleros, de Gerard Joling, e Certas Canções, de Milton Nascimento.

O danado do remetente achou que queria acabar com minha vida, pois, não mais que de repente, surge O Milionário, de Os Incríveis, interpretado por uma menina, Lorena Braco.

Quando comecei a me emocionar, e até já sentia um nó na garganta, o telefone tocou. Isso me tirou de intensos momentos de devaneios, o que me deu a oportunidade de economizar alguns mililitros de lágrimas, pois quando começo a chorar não quero mais parar.

Toquei O Milionário por alguns bons anos, tempo em que eu compunha a banda Jacildo e Seus Rapazes e ensaiava o The Crows.

Não sei o que significava a música, pois não conheci nenhuma versão com letras. Mas, para a juventude da época, ela só servia para encher nossas vidas de alegria e sonhar com alguém que um dia iria nos levar ao paraíso.

O termo surgiu em meados do século XVII e se referia às pessoas que possuíam uma quantia equivalente a um milhão em valores da moeda corrente local.

Por muito tempo, quando a moeda era estável, o conceito passava por aí. Mas, com sua desvalorização, no Brasil, por exemplo, hoje quem tem um milhão de reais não é considerado milionário.

Na verdade, tudo depende mesmo é do valor da moeda.

Segundo a Wikipedia, hoje o termo não se refere apenas a ter muito dinheiro, mas ser poderoso, mantendo um padrão de vida luxuoso e confortável, sem precisar trabalhar, bastando apenas saber administrar suas empresas e tomando o cuidado de fazer com que elas estejam sempre bem cotadas na Bolsa.

Mas, como fazer para ser um milionário? É simples. Basta você ter herdado uma fortuna de sua família, ganhar na loteria ou tropeçar em uma mina de ouro ou de diamantes.

Isso é possível, pois como disse Gibran Kalil Gibran: "Acaso não ouvistes falar do homem que cavava o chão à procura de raízes e encontrou um tesouro?".

Mas existem outras maneiras como: carregar dinheiro em cuecas; guardar sacos e caixas de dinheiro em um apartamento; transitar com mala cheia de grana recebida de outrens; ser tesoureiro de partidos políticos; passar para o nome de filhos toda a riqueza adquirida; assinar contratos com multinacionais; ter uma grande quantidade de lobistas ao seu lado e depositar verbas em bancos do exterior.

Tem gente maldosa falando que ser governador de Estado também é bom.

Existem outras estratégias, mas vou ficar por aqui, pois nós, simples mortais, não temos capacidade e nem apoio logístico para executar tais tarefas.

Depois de todas essas reflexões, peguei meu "zap" e recomecei a ouvir as músicas. Olha só quem está aqui: Nana Caymmi, com Resposta ao Tempo.

Ah, não companheiro, agora você já está abusando: The Sound of Silence com Simon & Garfunkel é pra matar.

Vou me sentar nesta cadeira e me deleitar. Espero não chorar.

NEUROZITO FIGUEIREDO BARBOSA é mestre em Ecologia e Biodiversidade, músico, compositor, escritor, professor universitário e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.



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