Terça, 18 de dezembro de 2018, 10h52
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Polícia / operação sangria

Três médicos e mais cinco são alvos de prisão por obstrução de Justiça

Eles tiveram mandados de prisão decretados pelo juízo da 7ª Vara Criminal, após serem acusados de crimes de obstrução à justiça praticada por organização criminosa e coação no curso do processo

Médicos, um gerente de licitação, um coordenador financeiro, parente e funcionários das empresas prestadoras de serviços médicos hospitalares, são alvos da segunda fase da operação “Sangria”, deflagrada nesta terça-feira (18), pela Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.

Eles tiveram mandados de prisão decretados pelo juízo da 7ª Vara Criminal, após serem acusados de crimes de obstrução à justiça praticada por organização criminosa e coação no curso do processo.

Há ainda quatro mandado de buscas e apreensão.

A operação, oriunda de investigação da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), é desdobramento do cumprimento de onze mandados de busca e apreensão ocorridos no dia 4 de dezembro, para apurar irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações, firmados com o município de Cuiabá e o Estado.

Obstrução de justiça

No dia 14 de dezembro, um segundo inquérito policial (196/2018) foi instaurado, após a Polícia Civil detectar que os investigados estão obstruindo o trabalho da Justiça.

“Destruindo, ocultando, coagindo testemunhas, usando de força política para atrapalhar o levantamento de informações e ainda fazendo pagamentos pendentes com o fim de arredondar documentos para encobrir as fraudes”, disse a delegada titular da Defaz, Maria Alice Barros Martins Amorim.

O delegado Lindomar Aparecido Tofoli, explicou que no transcorrer das investigações do inquérito principal (119/2018), ficou constatado que o grupo criminoso teria destruído provas e apagado arquivos de computadores para dificultar as investigações, além de ameaças feitas a testemunhas.

Investigação

A investigação da operação Sangria apura fraudes em licitação, organização criminosa e corrupção ativa e passiva, referente a condutas criminosas praticadas por médicos/administrador de empresa, funcionários públicos e outros, tendo como objeto lesão ao erário público, vinculados a Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, através de contratos celebrados com as empresas usadas pela organização, em especial, a Proclin e a Qualycare.

Segundo a apuração, a organização mantém influência dentro da administração pública, no sentido de desclassificar concorrentes, para que ao final apenas empresas pertencente a eles (Proclin/Qualycare) possam atuar livremente no mercado, “fazendo o que bem entender, sem serem incomodados, em total prejuízo a população mais carente que depende da saúde pública para sobreviver”.

A investigação demonstra que a organização criminosa, chefiada por médicos, estão deteriorando a saúde pública de Cuiabá e do Estado de Mato Grosso. Levantamento feito pela Central de Regulação de Cuiabá, em 2017, aponta que 1.046 pessoas aguardavam por uma cirurgia cardíaca de urgência e outras 390 por um procedimento cardíaco eletivo.

Nome da Operação

O nome da operação “Sangria” é alusivo a uma modalidade de tratamento médico que estabelece a retirada de sangue do paciente como tratamento de doenças, que pode ser de diversas maneiras, incluindo o corte de extremidades, o uso de sanguessugas ou a flebotomia.

Outro lado

Por nota, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, afirmou que pediu para que o secretário interino de Saúde, Luiz Antônio Possas de Carvalho, colaborar com as investigações e disponibilizar os documentos solicitados pelos policiais.

Ainda na nota, Possas de Carvalho relatou que as supostas irregularidades foram cometidas por empresas prestadoras de serviços, ocorridas desde gestões passadas, "mas que está acompanhando todos os trabalhos e está à disposição das autoridade".

VEJA A NOTA ABAIXO:

A respeito da 'Operação Sangria', deflagrada pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), nesta terça-feira (18) na Secretaria de Saúde e no Hospital São Benedito, o prefeito Emanuel Pinheiro determinou ao secretário Luiz Antônio Possas de Carvalho, que colabore com as investigações e coloque à disposição todos documentos e informações solicitadas. “Esperamos que sejam esclarecidos os fatos e que possamos continuar no rumo certo, para melhorar a saúde pública da Capital”, reforça Pinheiro.

O secretário de Saúde interino e procurador-geral do Município informou que a operação se trata de denúncias de supostas irregularidades de empresas prestadoras de serviços, ocorridas desde gestões passadas, mas que está acompanhando todos os trabalhos e está à disposição das autoridade.

(Com informações da Polícia Judiciária Civil de MT)



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